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Os 3 erros fatais de compliance que encontrei este mês ao falar com PMEs

Artigo de Luis Ferreira

30Mai2026

 

Nas últimas semanas tenho estado a realizar um inquérito ESG junto de pequenas e médias empresas portuguesas. O objetivo é simples: compreender melhor o grau de preparação das PMEs para temas como sustentabilidade, reporte ESG, gestão documental, proteção de dados e compliance em geral.

 

Embora os setores sejam diferentes e as realidades empresariais também, algumas conclusões começaram rapidamente a repetir-se. Curiosamente, os maiores riscos não estão normalmente relacionados com más intenções ou incumprimentos deliberados. Na maioria dos casos, resultam de processos que cresceram de forma desorganizada ao longo do tempo e que nunca foram verdadeiramente revistos.

 

Entre todas as respostas e conversas que tive este mês, identifiquei três erros que aparecem com uma frequência preocupante.

 

O primeiro é acreditar que ter documentos significa estar em conformidade.

 

Muitas empresas responderam que possuem políticas, procedimentos internos, documentação de proteção de dados ou registos relacionados com diferentes obrigações legais. À primeira vista, isso parece positivo. O problema surge quando se aprofunda a conversa.

 

Em vários casos, ninguém sabe exatamente onde estão os documentos mais recentes. Noutras situações, os documentos existem mas não são atualizados há anos. Também encontrei casos em que os colaboradores desconhecem completamente os procedimentos que teoricamente deveriam seguir.

 

Existe uma diferença enorme entre possuir documentação e conseguir demonstrar que essa documentação reflete a realidade da empresa. O compliance não é um conjunto de ficheiros arquivados. É a capacidade de provar que os processos definidos são efetivamente aplicados.

 

O segundo erro é a dispersão da informação.

 

Esta foi talvez a situação mais transversal às PMEs que participaram no inquérito. Documentos espalhados por computadores pessoais, versões diferentes do mesmo ficheiro, informação guardada em emails, contratos distribuídos por várias pastas e ausência de um local centralizado para armazenar evidências.

 

Enquanto não existe uma auditoria, uma candidatura, uma inspeção ou um pedido específico de um cliente, este problema passa despercebido. Contudo, quando surge a necessidade de reunir documentação rapidamente, a falta de organização transforma-se num custo real de tempo e recursos.

 

A maioria das empresas não enfrenta problemas de compliance porque não possui informação. Enfrenta problemas porque não consegue encontrá-la quando precisa.

 

Num contexto em que os requisitos regulatórios continuam a aumentar, a gestão documental deixou de ser uma questão administrativa. Tornou-se uma questão estratégica.

 

O terceiro erro é pensar que ESG e compliance são preocupações apenas para as grandes empresas.

 

Esta foi provavelmente a perceção mais surpreendente que encontrei. Muitas PMEs continuam a acreditar que os temas ESG, sustentabilidade ou reporte não lhes dizem respeito porque não estão diretamente abrangidas pelas obrigações mais exigentes aplicáveis às grandes organizações.

 

No entanto, a realidade está a evoluir rapidamente. Cada vez mais empresas de maior dimensão solicitam informação ESG aos seus fornecedores, parceiros e prestadores de serviços. O mesmo acontece em concursos, processos de qualificação e relações comerciais internacionais.

 

Na prática, muitas PMEs poderão vir a sentir pressão para fornecer informação relacionada com sustentabilidade, governação e impacto social muito antes de qualquer obrigação legal direta lhes ser aplicada.

 

As empresas que começam a organizar os seus dados e processos hoje estarão muito mais preparadas para responder a estas exigências amanhã.

 

O mais interessante em todas estas conversas é perceber que a maioria dos problemas não exige investimentos milionários nem equipas especializadas para começar a ser resolvida. Em muitos casos, o primeiro passo passa simplesmente por criar visibilidade sobre aquilo que já existe, identificar lacunas e organizar a informação de forma consistente.

 

O inquérito ESG continua a decorrer e, à medida que recebo mais respostas, uma conclusão torna-se cada vez mais evidente: as PMEs portuguesas têm vontade de fazer melhor, mas muitas vezes faltam-lhes ferramentas simples para transformar boas intenções em processos concretos.

 

E talvez seja precisamente aí que reside o maior desafio do compliance moderno. Não se trata apenas de cumprir requisitos. Trata-se de criar organizações mais organizadas, mais resilientes e mais preparadas para o futuro.

 

Se ainda quiser participar no Inquérito, como PME, por favor clique em https://diggex.net/forms/forms-esg-nas-empresas-diagnostico-rapido/

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